O seguro viagem deve registrar crescimento de 12,2% ao longo de 2026, segundo projeções da Confederação Nacional das Seguradoras, consolidando-se como um dos segmentos de maior expansão do mercado segurador brasileiro. O movimento acompanha a retomada do turismo internacional e uma percepção crescente entre viajantes brasileiros de que a cobertura deixou de ser opcional em boa parte dos destinos mais procurados.
O exemplo mais claro de obrigatoriedade é o Espaço Schengen, que reúne 29 países europeus e exige de viajantes brasileiros um seguro com cobertura mínima de 30 mil euros para despesas médicas e repatriação. Sem apresentar essa cobertura no momento da solicitação de visto ou na imigração, dependendo do destino, o viajante pode ter a entrada negada. Portugal, especificamente, mantém a exigência de seguro viagem para estadias de até 90 dias mesmo para brasileiros, que não precisam de visto para entrar no país.
Já em destinos como Estados Unidos, Argentina e dentro do próprio Brasil, o seguro viagem não é exigido por lei, mas isso não significa que seja dispensável na prática. Nos Estados Unidos, em particular, o custo de qualquer atendimento médico de emergência sem cobertura pode ultrapassar facilmente o valor de uma viagem inteira, tornando o seguro uma proteção financeira mais relevante do que a obrigatoriedade legal sugere.
Em termos de preço, o seguro viagem nacional custa hoje entre R$ 8 e R$ 20 por dia, dependendo da cobertura contratada, enquanto o seguro viagem internacional varia entre R$ 15 e R$ 60 por dia, considerando destinos como América do Sul, Europa e América do Norte — os valores mais altos costumam estar associados a coberturas médicas mais amplas e a destinos onde o custo de saúde é historicamente mais elevado, caso dos Estados Unidos.
Um erro comum na hora de contratar é olhar apenas o valor da cobertura médica anunciada, sem verificar exclusões relevantes: a maioria das apólices básicas não cobre doenças preexistentes, esportes radicais ou práticas consideradas de risco, e algumas têm carência para determinadas coberturas nos primeiros dias de vigência. Vale sempre ler as condições gerais antes de comparar preços entre seguradoras, já que uma apólice mais barata pode ter uma cobertura efetiva bem menor do que parece à primeira vista.
Outro ponto pouco lembrado é que cartões de crédito de categorias mais altas às vezes já incluem seguro viagem como benefício embutido na anuidade. Antes de contratar uma apólice separada, vale checar se o cartão utilizado na compra das passagens já oferece cobertura suficiente para o destino e o tipo de viagem planejada — em muitos casos, o benefício do cartão cobre parte do risco, mas não substitui integralmente uma apólice dedicada para viagens mais longas ou destinos de maior exigência de cobertura mínima.
Fonte: Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) e levantamentos de mercado sobre preços e obrigatoriedade de seguro viagem em 2026.