Cerca de 28 milhões de brasileiros foram vítimas de algum golpe envolvendo Pix em 2025, com pessoas acima de 50 anos representando 53% dos casos. Especialistas em segurança digital alertam que 2026 deve aprofundar essa tendência, não revertê-la: o uso de inteligência artificial está tornando os golpes mais rápidos de montar, mais personalizados e mais difíceis de identificar do que a versão genérica de fraude que circulava até poucos anos atrás.
A mudança central não é o tipo de golpe em si, mas a velocidade e a precisão com que ele é construído. Golpistas hoje conseguem moldar uma abordagem fraudulenta em segundos para um perfil específico, usando dados vazados — CPF, e-mail, histórico de compras — para montar uma narrativa coerente e convincente, em vez da mensagem genérica e cheia de erros que era fácil de reconhecer no passado.
Um dos desenvolvimentos mais preocupantes é o uso crescente de deepfakes: vídeos e áudios falsos, mas realistas, de autoridades públicas ou até de conhecidos da vítima, anunciando supostas mudanças em regras do Pix, taxações inexistentes ou pedidos urgentes de transferência. A tecnologia para gerar esse tipo de conteúdo ficou mais acessível e mais convincente, o que reduz a margem de erro que costumava entregar o golpe — sotaque estranho, imagem borrada, fala robótica.
Diante desse cenário, o Banco Central está desenvolvendo um índice preditivo de fraudes baseado em aprendizado de máquina, com o objetivo de criar um sistema centralizado de pontuação de risco para transações em tempo real. A lógica é sinalizar padrões suspeitos antes que a transferência seja concluída, em vez de apenas registrar o golpe depois que o dinheiro já saiu da conta — hoje, a maior parte da proteção ainda depende de o próprio usuário perceber a fraude a tempo.
Enquanto esse tipo de proteção sistêmica não está totalmente implementado, a defesa mais eficaz continua sendo comportamental: desconfiar de qualquer contato — mesmo em vídeo ou áudio — que peça urgência para uma transferência via Pix, verificar informações por um segundo canal antes de agir (ligar para a pessoa ou instituição por um número já conhecido, não o que veio na mensagem suspeita), e lembrar que instituições financeiras e órgãos públicos não pedem confirmação de dados sensíveis ou senhas por mensagem.
Também vale desconfiar especificamente de qualquer comunicação alegando mudança de regra do Pix que exija ação imediata — taxação nova, bloqueio de conta, atualização cadastral urgente. Esse tipo de gancho se repete em praticamente todos os levantamentos de golpe mais recentes justamente porque funciona: explora a pressa e a falta de familiaridade da maioria das pessoas com as regras reais do sistema.
Fonte: levantamentos de empresas de segurança digital e comunicados do Banco Central sobre fraudes envolvendo Pix em 2025 e 2026.