O Tesouro IPCA+ 2032 está pagando 7,93% ao ano acima da inflação. Na prática, R$ 10 mil aplicados hoje viram cerca de R$ 15.805 em poder de compra em 2032 — desde que o título seja mantido até o vencimento.
No início de setembro de 2026, o Tesouro IPCA+ com vencimento em 2032 estava pagando a inflação do período mais 7,93% ao ano. No mesmo dia, o Tesouro Prefixado 2029 oferecia 13,86% ao ano. São as menores taxas desde maio — o mercado já vem antecipando a queda da Selic —, e ainda assim continuam entre as mais generosas do mundo para um título soberano.
O primeiro conceito a destacar é o que significa “IPCA mais 7,93%”. Esse título tem duas partes: uma que acompanha a inflação oficial, seja ela qual for, e outra fixa, de 7,93% ao ano, contratada no momento da compra. Se a inflação dos próximos seis anos for de 4% ao ano, o rendimento total fica em torno de 12% ao ano; se for de 8%, fica em torno de 16%. O que está garantido não é o número final, é o ganho acima da inflação.
E esse ganho acima da inflação é exatamente o que costuma faltar em outras aplicações. Um investimento que rende 10% ao ano num ano de inflação de 10% não aumentou o seu poder de compra em nada — apenas empatou. O Tesouro IPCA+ resolve esse problema por construção: ele é indexado ao mesmo índice que corrige o custo de vida, e entrega o juro real por cima.
Vale entender o tamanho disso. Aplicando R$ 10 mil hoje a 7,93% ao ano durante seis anos, o poder de compra ao fim do período equivale a cerca de R$ 15.805 em valores de hoje — um acréscimo real de aproximadamente 58% sobre o que você aplicou. Descontado o Imposto de Renda de 15%, alíquota válida para aplicações mantidas por mais de dois anos, sobram cerca de R$ 14.934 de poder de compra. O valor em reais no extrato será maior, porque inclui a inflação acumulada; o que interessa, porém, é o que ele compra.
Ganho acima da inflação, mantendo o título até o vencimento
A palavra decisiva em tudo isso é “vencimento”. A taxa contratada só se cumpre integralmente se o título for mantido até o fim do prazo. Quem vende antes recebe o preço de mercado do dia, que varia todos os dias conforme a expectativa de juros — pode estar acima ou abaixo do esperado. É por isso que esse tipo de título combina com dinheiro que tem data para ser usado, não com reserva de emergência.
Também vale olhar o outro título citado. O Prefixado 2029 paga 13,86% ao ano, número fixo, definido no ato da compra. Ele rende mais se a inflação ficar baixa e rende menos, em poder de compra, se a inflação surpreender para cima. É uma aposta diferente: o IPCA+ protege de inflação, o prefixado aposta que ela será menor do que o mercado supõe hoje.
Por fim, uma observação de calendário. As taxas do Tesouro se movem todos os dias e já caíram bastante desde maio. Quem espera “a taxa ideal” costuma descobrir que ela era a de alguns meses atrás. Se um juro real próximo de 8% ao ano resolve um objetivo concreto que você tem para daqui a seis anos — a entrada de um imóvel, a faculdade de um filho, uma parte da aposentadoria —, a pergunta relevante não é se ela vai subir mais, e sim se ela já é suficiente para o que você precisa.
Fonte: Tesouro Direto, taxas de referência de 3 de setembro de 2026. Simulação de cálculo própria, sem considerar taxa de custódia da B3.