SAC ou Price: a escolha que muda R$ 50 mil no seu financiamento

Na hora de assinar um financiamento imobiliário, o gerente faz uma pergunta que parece técnica e passa rápido: SAC ou Price? Muita gente responde no impulso, sem saber que acabou de tomar a decisão que mais mexe no valor final do contrato. A diferença entre as duas tabelas pode passar de R$ 50 mil ao longo de trinta anos.

A lógica de cada uma é simples quando alguém traduz. No SAC, você amortiza sempre a mesma fatia da dívida todo mês. Como o saldo devedor cai mais rápido, os juros diminuem junto: a parcela começa alta e vai encolhendo até o fim. Na Tabela Price, a parcela é fixa do começo ao fim. Parece mais confortável, e é, mas no início você paga muito mais juros do que principal, e a dívida demora a cair.

O resultado prático é que o SAC costuma sair mais barato no total pago, porque derruba o saldo devedor mais cedo. O Price entrega previsibilidade e uma primeira parcela menor, o que às vezes é a diferença entre conseguir e não conseguir a aprovação: os bancos calculam o comprometimento de renda em cima da primeira prestação, e no SAC ela é a maior de todas.

Só que a tabela não é o único número que importa, e talvez nem seja o principal. O que você deve exigir do banco é o CET, o Custo Efetivo Total. Ele inclui os seguros obrigatórios e as taxas de administração que a taxa de juros anunciada esconde. Dois bancos com a mesma taxa podem ter CETs bem diferentes.

Para você ter referência, as taxas do crédito imobiliário partem de cerca de 11,19% ao ano mais TR na Caixa, e a média de mercado para imóveis de até R$ 1,5 milhão fica entre 10,5% e 12,5% ao ano mais TR. Meio ponto percentual de diferença vira dezenas de milhares de reais em trinta anos, então vale pedir simulação em mais de um banco antes de decidir.

Vale saber também que 2026 afrouxou algumas regras. A cota de financiamento para imóvel usado voltou a 80%, o que reduz a entrada exigida, e o teto de avaliação do SFH subiu para R$ 2,25 milhões. A Caixa ainda derrubou a restrição que impedia o mesmo CPF de ter mais de um financiamento no SBPE.

Resumindo em uma regra: se a primeira parcela couber no seu orçamento com folga, o SAC tende a custar menos no fim. Se a folga for apertada, o Price protege o seu fluxo de caixa. E nada impede que você amortize por fora mais adiante, sempre pedindo que o abatimento entre no saldo devedor, e não no valor da parcela.

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