Quase todo brasileiro que tem dinheiro no banco está protegido por um fundo do qual nunca ouviu falar. O FGC, Fundo Garantidor de Créditos, devolve até R$ 250 mil por CPF, por instituição financeira, se o banco quebrar. Cobre poupança, CDB, LCI, LCA e até o saldo da conta corrente. E não é teoria: em novembro de 2025, quando o Banco Central liquidou o Banco Master, esse fundo entrou em ação no maior acionamento da história do sistema financeiro nacional.
Os números dão a dimensão do que aconteceu. O FGC liberou cerca de R$ 39,7 bilhões aos clientes das instituições ligadas ao conglomerado. Os pagamentos começaram em 19 de janeiro de 2026 e, até meados de fevereiro, 92% do valor já tinha sido pago. Quem estava dentro do limite recebeu o dinheiro de volta.
Mas tem um detalhe incômodo nessa história: mais de 117 mil investidores simplesmente não foram buscar o dinheiro. Cerca de R$ 2,2 bilhões continuavam parados meses depois da liquidação, esperando alguém solicitar. O problema deixou de ser a capacidade de pagar e passou a ser gente que não sabe que tem direito. Se você tinha aplicação em algum banco liquidado, o resgate não é automático: precisa ser pedido.
A partir de 1º de junho de 2026, o Conselho Monetário Nacional apertou as regras. A mudança que mais interessa a você é o prazo: o pagamento da garantia, que podia levar até 30 dias, caiu para 3 dias úteis. As outras mexem com os bancos. Se os recursos cobertos pelo FGC passarem de 10 vezes o patrimônio líquido da instituição, o excedente terá que ficar em títulos públicos federais. Na prática, isso deve reduzir a oferta daqueles CDBs com taxa muito acima da média do mercado.
O que fazer com essa informação? Três coisas. Primeira: respeite o teto de R$ 250 mil por CPF em cada instituição e, se tiver mais do que isso, divida entre emissores diferentes. Segunda: saiba que existe um limite global de R$ 1 milhão a cada quatro anos, contado a partir da primeira vez que você aciona a garantia. Terceira: quando um banco pequeno oferece uma taxa muito acima de todo mundo, isso agora diz mais sobre o risco dele do que sobre a sua sorte.