O Sistema de Consórcios bateu um recorde histórico em 2026: pela primeira vez, o Brasil ultrapassou a marca de 13 milhões de participantes ativos, segundo dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC). Somente nos cinco primeiros meses do ano foram comercializadas 2,36 milhões de novas cotas, movimentando R$ 232,9 bilhões em créditos — um crescimento de 14% frente ao mesmo período de 2025.
O motivo por trás desse avanço tem tudo a ver com o que já vimos por aqui esta semana. A Selic permaneceu em patamar elevado ao longo de 2026, e mesmo com os cortes recentes do Copom, o crédito tradicional continua caro. É justamente nesse cenário que o consórcio ganha espaço: diferentemente do financiamento, ele não cobra juros sobre o valor da carta de crédito.
Vale entender como a conta funciona. No consórcio, um grupo de pessoas forma um fundo comum e contribui mensalmente até que cada participante seja contemplado — por sorteio ou por lance — e receba a carta de crédito para usar como quiser dentro da categoria contratada. O custo não é juro, é a taxa de administração, cobrada pela administradora, além de eventuais fundo de reserva e seguro previstos em contrato.
Essa diferença explica boa parte do apelo atual. Sem cobrança de juros, o valor total pago tende a ficar mais baixo do que num financiamento na Selic de hoje. A contrapartida é o tempo: ao contrário do financiamento, o consórcio não garante o recurso imediatamente — é preciso aguardar a contemplação, que pode vir cedo, por sorte no sorteio, ou depois, dependendo do lance ofertado.
O levantamento da ABAC também mostra onde está concentrada essa expansão. O segmento de veículos leves ainda lidera, reunindo cerca de 5,53 milhões de consorciados — mais de quatro em cada dez participantes do sistema. Mas a modalidade vem ganhando força também em imóveis, reformas, equipamentos e serviços, áreas que tradicionalmente dependiam quase exclusivamente do financiamento bancário.
Se você está avaliando entrar em um consórcio, alguns pontos merecem atenção antes de assinar. Compare a taxa de administração total entre diferentes administradoras — ela varia bastante e impacta diretamente o custo final. Verifique se a empresa é autorizada a funcionar pelo Banco Central, que regula o setor. E tenha clareza sobre o prazo do grupo e as regras de lance, porque é isso que vai determinar quando — e se — você recebe a carta de crédito.
O consórcio não é para quem precisa do bem com urgência, mas para quem já sabe que vai precisar dele em algum momento e pode planejar com antecedência. Nesse encaixe, e com o crédito tradicional ainda pesando no bolso, não é surpresa que o sistema esteja batendo recorde atrás de recorde em 2026.