O país encerrou junho de 2026 com 83,7 milhões de pessoas com o nome negativado, o maior número da série histórica medida pelos birôs de crédito. Ao mesmo tempo, o score médio do brasileiro subiu para 612 pontos, numa escala de 0 a 1.000 — um número que parece contraditório à primeira vista, mas que reflete uma população dividida entre quem paga em dia e constrói histórico, e quem acumula dívidas em aberto.
O score de crédito funciona como uma pontuação que estima a probabilidade de a pessoa pagar suas contas em dia. Na prática, ele influencia diretamente a taxa de juros oferecida em um empréstimo, o limite de crédito disponível em cartões, a aprovação em processos de locação de imóvel e até condições em contratos de prestação de serviço que envolvem análise de risco. Quanto mais alto o score, menor tende a ser o custo do crédito oferecido para a mesma pessoa.
O fator que mais pesa nesse cálculo, e que ainda é subestimado por boa parte da população, é o Cadastro Positivo. Trata-se de um banco de dados gratuito e regulamentado por lei que reúne o histórico de pagamentos de contas como luz, água, telefone, cartões e financiamentos. Segundo os birôs de crédito, o Cadastro Positivo é responsável por até 59% do cálculo do score — mais peso do que qualquer outro fator isolado considerado na pontuação.
Isso significa que duas pessoas com renda parecida e sem nenhuma dívida em atraso podem ter scores bem diferentes dependendo de terem ou não histórico robusto de contas pagas em dia registrado no Cadastro Positivo. Quem paga tudo em dia mas nunca teve conta de consumo, financiamento ou cartão em seu nome — o que é comum entre pessoas jovens ou que começaram a vida financeira recentemente — tende a ter menos dados disponíveis para o cálculo, e por consequência um score mais baixo do que o comportamento financeiro real justificaria.
Em termos de faixas, um score acima de 500 já costuma ser suficiente para aprovação em parte das análises de crédito mais simples. Acima de 701 pontos, a confiança das instituições financeiras aumenta de forma expressiva, com maior facilidade de aprovação e acesso a taxas de juros mais baixas em praticamente todas as modalidades de crédito — do cartão ao financiamento imobiliário.
Para quem quer melhorar o score de forma consistente, os passos mais eficazes continuam sendo os mais óbvios: manter contas de consumo e financiamentos em dia, evitar consultas excessivas de crédito em curto período, e verificar se o cadastro nos birôs de crédito está corretamente atualizado. Negativações antigas já quitadas, por exemplo, às vezes continuam constando de forma incorreta e podem ser contestadas diretamente junto ao birô responsável.
Fonte: Serasa, SPC Brasil e dados consolidados de score de crédito e inadimplência no Brasil referentes a 2026.