Mais da metade dos adultos do Brasil — 50,9%, cerca de 83,7 milhões de pessoas — está com o nome sujo agora, recorde da série histórica segundo a Serasa. Esse número tem relação direta com outro que a maioria das pessoas nunca parou pra entender de verdade: o score de crédito, o mesmo que decide se um pedido de cartão, empréstimo ou financiamento é aprovado, e a que taxa.
O score é uma nota de 0 a 1.000 que estima a chance de você pagar suas contas em dia nos próximos 12 meses. Quanto mais alto, menor o risco que o mercado enxerga em te oferecer crédito — e, na prática, melhores costumam ser as taxas oferecidas. As faixas mais usadas pelo mercado são: de 0 a 500 pontos, risco alto; de 501 a 700, risco moderado, considerado uma faixa boa; e de 701 a 1.000, risco baixo, a faixa considerada excelente. Segundo levantamento da própria Serasa, o brasileiro médio está com cerca de 548 pontos — dentro da faixa boa, mas ainda longe da excelente.
Existe um mito comum: achar que score baixo é sinônimo de estar negativado. Não é bem assim. Quem nunca usou crédito, nunca teve cartão ou financiamento, também tende a ter um score baixo — porque o sistema não tem histórico nenhum pra avaliar. Ter nome limpo ajuda, mas não é a única coisa que constrói um score alto.
O que mais pesa no cálculo é o histórico de pagamento: contas e parcelas pagas dentro do prazo, de forma consistente ao longo do tempo, são o fator com mais peso. Depois entram o tempo de relacionamento com o mercado de crédito, a quantidade e o tipo de dívidas em aberto, e quantas vezes você teve seu crédito consultado recentemente — muitas consultas em um período curto costumam pesar contra, porque sinalizam alguém buscando crédito de forma repetida.
Participar do Cadastro Positivo também ajuda. Ele reúne o seu histórico de pagamentos em bancos, financeiras e outras contas, e costuma favorecer quem paga em dia, já que mostra um comportamento consistente que o sistema consegue enxergar com mais clareza.
Na prática, o que mais eleva o score ao longo do tempo é pagar as contas na data certa, negociar e quitar dívidas antigas em aberto, manter o uso do limite do cartão de crédito numa fatia pequena do total disponível, e evitar pedir crédito novo com muita frequência em um curto espaço de tempo.
Entender como o score funciona não muda a nota da noite pro dia, mas muda a forma como você lida com crédito daqui pra frente — e é o primeiro passo pra negociar uma taxa melhor da próxima vez que precisar de um empréstimo ou financiamento.